sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Biografia de Frida Vingren: versão CPAD

Previsto para o início de 2014, o lançamento da biografia da pioneira Frida Vingren, esposa do missionário Gunnar Vingren, um dos fundadores das Assembleias de Deus no Brasil está gerando uma grande expectativa entre estudiosos, pesquisadores e interessados na história da AD. Escrita pelo jornalista Isael de Araújo, o livro promete mais informações sobre a missionária, uma personagem que se tornou emblemática dentro das ADs nesses últimos anos.


Casal Vingren: pioneiros da AD
Frida, sua vida e ministério tem sido alvo de muitas discussões, principalmente através dos estudos do sociólogo Gedeon Alencar, o qual destaca não só a atuação da esposa de Gunnar, mas o quanto ela foi vítima do machismo sueco-nordestino, o qual calou a pioneira, e fez que Gunnar Vingren, o mítico pioneiro das ADs, fosse voto vencido na disposição de apoiar o ministério feminino dentro da denominação. Para o sociólogo, a derrota do casal Vingren na CGADB de 1930, foi também a derrota de um modelo de igreja desejado por eles, onde homens e mulheres em pé de igualdade desenvolveriam seus ministérios.

Ao contrário disso, se consolidou o predomínio masculino no ministério, sendo reservado as mulheres um papel secundário dentro de uma igreja de maioria feminina, a qual, mesmo dependente do seu trabalho, não lhes oferece espaço em suas instâncias de poder. Situação essa que ainda hoje perdura dentro das ADs.

Além disso, Frida teria sido incompreendida, perseguida e relegada ao esquecimento após sua partida para a Suécia. Com a morte do esposo teve seu o retorno ao Brasil impedido, seus filhos foram tirados de sua guarda, e ela internada num sanatório onde morreu louca, sendo sepultada ingloriamente como indigente.

Provavelmente a obra lançada pela CPAD, trará mais detalhes sobre a missionária. Será com certeza, uma resposta oficial ao que já foi divulgado no meio acadêmico e entre os estudiosos do assunto. Porém o que se percebe, é a disputa pela memória da senhora Vingren. Esquecida pela história oficial, agora é alvo de diversos debates e estudos sobre a realidade passada e presente do ministério feminino dentro das ADs. 

Algumas questões talvez sejam ignoradas na obra, ou com a ajuda de outras fontes históricas serão reinterpretadas. Quem estuda a História e suas teorias, sabe que as possibilidades de versões, discursos e interpretações para um fato histórico são múltiplos. Seria a pioneira uma vítima do sistema e seus algozes homens embrutecidos pelo preconceito? Será que nesse assunto tão polêmico pode-se ter uma visão simplesmente mecânica da História ignorando nuances e detalhes que ainda podem vir a público?

As respostas a essas indagações ainda estão sendo formuladas. A polêmica ainda vai longe...

Fontes:

ALENCAR, Gedeon Freire de. Assembleias Brasileiras de Deus: Teorização, História e Tipologia- 1911-2011. Pontifícia Universidade Católica: São Paulo.

ARAÚJO, Isael de. Dicionário do Movimento Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2007.

DANIEL, Silas. História da Convenção Geral das Assembléias de Deus no Brasil. Rio de Janeiro: CPAD, 2004.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Rituais da Ceia nas Assembleias de Deus

Na postagem passada, observou-se que em 1965, através do Mensageiro da Paz, o escritor Paulo Santos clamou para que as ADs tivessem seus costumes "definidos e padronizados". Dentro desse pedido estava a questão da liturgia na celebração da Ceia do Senhor, mais especificamente sobre o uso do cálice comum ou individual.

Com o tempo essa polêmica foi superada, pois as ADs em todo o Brasil (salvo se houver alguma exceção) utilizam o cálice individual na celebração. Porém as práticas litúrgicas ainda variam muito conforme as regiões e ministérios. E é nesse ponto tão simples para alguns, que se percebe a multiplicidade de costumes dentro da denominação que, implantada em todo território nacional, revela tantas diferenças em seus ministérios.

Ceia nas ADs: diversidade litúrgica e de costumes 

O grande problema da adoção de alguns costumes, é que se aceito por uma minoria, vira lei, e aí passa a ser uma imposição aos membros. A igreja evangélica deveria ser mais democrática em alguns aspectos, até porque a Bíblia diz que “não por força nem por violência, mas pelo meu espírito” Zac. 4.6. Se o Espírito Santo não ajudar, líder nenhum pode mudar uma situação. Alguns costumes podem até ser sugeridos pelo líder, mas não imposto como regra geral.

Na grande maioria das igrejas das ADs, o direito a participar da Ceia é somente para o membros. No momento em que é servido o pão e o vinho, os membros em comunhão ficam de pé para participarem da celebração. Mas em alguns ministérios há um controle rígido da participação de cada membro na ceia. Exemplo: algumas igrejas anotam em um cartão a frequência do fiel no culto. Este controle, até certo ponto é bom. Hoje, com o avanço da tecnologia, pode-se controlar a frequência dos membros nos cultos de ceia. Devido a grande evasão para outras denominações e outros que simplesmente se afastam da comunhão, exercer certo controle é saudável para a igreja.   
 
O momento de se servir também varia. Em alguns locais os crentes tomam do pão e do vinho livremente no exato momento em que se passam as bandejas. Em outros, os irmãos esperam uns pelos outros e, de forma sincronizada celebram o ritual. Em algumas igrejas, após participar da ceia os membros dobram seus joelhos e agradecem a Deus pelo momento. Em outras é feita uma oração coletiva de louvor e gratidão.

Aí se segue a questão local. Cada pastor tem o seu ponto de vista seja ele teológico ou não. Quando a Bíblia diz: “... comei dele todos” não significa que tem que ser num mesmo momento. Ajoelhar-se e orar depois de ter tomado o cálice, deveria ser uma questão individual. Aquele que achar que deve que é bom, que o faça, mas não aquele ritual costumeiro, com ranço do catolicismo. É uma verdadeira “Maria vai com as outras”. Um faz todo mundo tem que fazer. E o culto racional como fica? O comportamento do fiel deveria ser como a Bíblia ensina e não porque simplesmente uma imitação do outro.

A liturgia do culto de ceia é a mais questionada. Tem igrejas que tomam o tempo todo com avisos, hinos avulsos e “enchimento de linguiças”, que a cerimônia da ceia é feita às pressas. Em alguns lugares o pastor aproveita o momento para exortações e falar sobre os costumes não aceitos pela denominação. Muitos ao invés de tomarem a ceia com alegria, regozijando no Senhor, ficam tristes e amargurados, acabam tomando a ceia indignamente.

Deve-se preocupar em ter um culto avivado, e que realmente as pessoas ali presentes sintam o verdadeiro significado do momento. Os corais, orquestra e conjuntos devem escolher hinos apropriados para o cerimonial, mas sem cair na rotina. A Harpa Cristã possui 640 hinos lindos e inspirados, e vários deles falam da morte e ressurreição de Cristo. Porque tem que cantar só o hino 39, 53 e o 301? Uma igreja organizada, com um bom departamento de musica tem rever estes conceitos. O coral, porque tem que cantar hinos da HC, sendo que poderia muito bem cantar uma música clássica, tipo: “... Ó fronte ensanguentada”, “Jesus, alegria dos Homens”, ou “Cristo já ressuscitou, Aleluia”. São hinos maravilhosos.

Uma grande contribuição para a liturgia da ceia seria no culto, dar oportunidade para algumas pessoas testemunharem curas e outras bênçãos recebidas do Senhor. Mas em muitas ADs esse tipo de participação está escassa, pois a liturgia se encontra cada vez mais dominada por pessoas consideradas "qualificadas" para esse fim.

* Colaboração especial do escritor Jacó Rodrigues Santiago - Ipatinga (MG)