terça-feira, 21 de outubro de 2014

CGADB de 1987 - a eleição

Descrita como "monumental" e "a maior de todas" por um dos seus participantes, a CGADB de 1987 entrou para a história das Assembleias de Deus, infelizmente, como a manifestação de um monumental conflito entre os Ministérios da Missão e Madureira.

No dia 20 de janeiro no Centro de Eventos em Salvador (BA) ocorreu a eleição da nova Mesa Diretora da CGADB. Antes mesmo da votação, alguns líderes já manifestavam que as tentativas de novamente se chegar a um acordo não seriam possíveis. Havia um exacerbado clima de rivalidade, e o discurso de união já estava sendo abandonado para frases cuidadosamente construídas, as quais, lidas dentro do contexto histórico apontava para as incontornáveis dissenções assembleianas. 

Pouco antes da votação, o pastor Luiz Bezerra da Costa, falou em "não ter favoritismo, mas esperava que a unidade permanecesse intacta". O irmão de José Wellington, como bom político, adotava o discurso da neutralidade. Mas era evidente em suas palavras a fragilidade da suposta "unidade" assembleiana.

O abraço de Ferreira em Alcebiades: gesto longe da realidade 

O líder do Ministério do Belenzinho José Wellington disse na ocasião ser favorável a uma chapa de união. Para ele sendo a igreja única, não deveria haver um "grupo vencedor ou perdedor", mas "como igreja, nós devemos estar sempre juntos, combinar e juntos escolher os irmãos que irão compor a Mesa." Porém, naquele momento, o futuro presidente da CGADB  não observava "ambiente favorável a uma chapa do consenso".

Infelizmente, por interesses diversos, um grupo teria que sair derrotado. E esse grupo, seria o Ministério fundado por Paulo Leivas Macalão. O próprio pastor José Wellington estava nas articulações para derrotar Madureira. E de fato foi uma vitória esmagadora para a Missão. O Mensageiro da Paz informava a inscrição de três mil obreiros, e Alcebiades venceu a disputa com 2.140 votos.

Após a proclamação do resultado, pastor Alcebiades declarou: "O meu sentimento é favorável a que desapareça todo e qualquer sentimento de divisão e haja paz em nossa igreja...porque unida a igreja pode fazer um grande trabalho, enquanto que, com essa aparente divisão, poderá ser um desastre muito grande." Como se percebe, amenizava-se as grandes discórdias com belas declarações de unidade, como se as palavras fossem criar um sentimento diferente daquele vivido antes, durante e depois da convenção.

Com a confirmação da vitória da Missão, pastor Manoel Ferreira diplomaticamente se dirigiu ao seu oponente para um "afetuoso" abraço. Esse gesto, muito bem explorado na matéria do Mensageiro da Paz, na verdade não refletia a realidade, e nem sua declaração de que "Deus fez sua vontade e o nosso propósito é o de somar.... Colocamo-nos ao lado da nossa presidência, para lutar em favor da unidade de nossa Igreja e esperamos que a nova Mesa Diretora seja um canal aberto para o diálogo." 

Meses depois essas palavras não teriam mais sentido. Segundo José Wellington em suas memórias, Alcebiades e Manoel Ferreira entraram numa triste rota de colisão, a ponto de cortarem relações. Contraditoriamente, a Mesa Diretora para o líder de Madureira não se tornou um canal de diálogo e sim um instrumento de pressões para que o ministério se enfraquecesse, o que levou a Mesa Diretora já na gestão de José Wellington a desligar Madureira da Convenção Geral.

Assim, a CGADB de 1987 terminou. Entre discursos vazios, abraços teatrais e uma crise que se prolongou até 1989, com a saída de Madureira da CGADB. Porém, a história mostrou que a saída de Madureira só amenizou momentaneamente a antropofagia ministerial assembleiana. Outras crises como uma tempestade se formariam, tendo como consequências outros embates nas convenções seguintes.

Para suprema ironia, o jornal do Ministério de Madureira O Semeador (edição de fevereiro de 1987) informava aos seus leitores que Alcebiades havia tomado posse da Mesa Diretora da CGADB "num ambiente de paz e harmonia..."

Fontes

ARAÚJO, Isael de. José Wellington - Biografia. Rio de Janeiro: CPAD, 2012

ARAÚJO, Isael de. Dicionário do Movimento Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2007.

DANIEL, Silas. História da Convenção Geral das Assembléias de Deus no Brasil. Rio de Janeiro: CPAD, 2004.

FERREIRA, Samuel (org.) Ministério de Madureira em São Paulo fundação e expansão 1938-2011. Centenários de Glórias. cem anos fazendo história 1911-2011 s.n.t.


FRESTON, Paul. Breve História do Pentecostalismo. In: ANTONIAZZI, Alberto. Nem anjos nem demônios; interpretações sociológicas do pentecostalismo. Petrópolis: Vozes, 1994.


VASCONCELOS, Alcebíades Pereira; LIMA, Hadna-Asny Vasconcelos. Alcebíades Pereira Vasconcelos: estadista e embaixador da obra pentecostal no Brasil. Rio de Janeiro: CPAD, 2003.

Mensageiro da Paz. Rio de Janeiro: CPAD, janeiro de 1985

Mensageiro da Paz. Rio de Janeiro: CPAD, junho de 1986

Mensageiro da Paz. Rio de Janeiro: CPAD, julho de 1986

Mensageiro da Paz. Rio de Janeiro: CPAD, março de 1987

sábado, 18 de outubro de 2014

CGADB de 1987 - as versões

O moderno e bem situado Centro de Convenções na cidade de Salvador (BA), foi o palco decisivo das disputas envolvendo as principais lideranças das Assembleias de Deus no Brasil. Com mais de três mil obreiros assembleianos inscritos, o conclave de 1987 foi o ápice das graves discordâncias entre os ministérios das ADs.

Duas chapas concorrentes, com dois líderes de expressão nacional. De um lado, o veterano e conceituado pastor Alcebiades Pereira Vasconcelos; do outro, Manoel Ferreira, um dos principais líderes do Ministério de Madureira. Em jogo vários interesses político-eclesiásticos.

É interessante, porém, conhecer as observações dos dois protagonistas daquela fatídica convenção. São relatos antagônicos, mas é importante saber o contexto para se ter um maior entendimento das declarações dos conhecidos líderes. Manoel Ferreira em suas memórias recorda que na CGADB de 1985, com a eleição da famosa chapa do consenso "ficou acordado também que a partir dali, em todas as Convenções, nós acharíamos um entendimento de representação. Madureira teria sua representação e eles teriam outra representação".

Segundo essa versão, naquela convenção (1987) só deveria haver uma chapa para ser apresentada e oportunamente ser aclamada em plenário. Em 1985, um presidente ligado a Missão foi eleito. Na CGADB na Bahia deveria ser eleito um presidente de Madureira. Ferreira conta que, ao chegar em Salvador, se deparou com uma chapa da Missão já montada, e sem nenhum representante de Madureira. "Nós fomos totalmente ignorados..." afirmou ele recordando os fatos.


Alcebiades e Ferreira: versões antagônicas para CGADB de 1987
Tomados de surpresa, e desorganizados para enfrentar os oponentes liderados por Alcebiades, os líderes de Madureira ainda testemunharam a omissão e o constrangimento de vários pastores da Missão, os quais viam o acordo de 1985 ser quebrado. Segundo essa versão apresentada pelo Bispo Ferreira, a apresentação da chapa ligada a Missão foi uma deslealdade, um golpe.

Porém há um detalhe. Um ano antes da CGADB de 1987, no Encontro de Líderes realizado em São Paulo, vários pastores postulavam a presidência da Convenção Geral. Nesse encontro, segundo Alcebiades foi decidido que ele seria o cabeça de chapa. Houve embates, e uma visita do então presidente da Convenção Geral, pastor José Pimentel de Carvalho foi feita a convenção de Madureira para amenizar os ânimos.

Além de confirmar que o acordo ratificado em 1985 não seria honrado, o Encontro de Lideranças em 1986 já apontava, segundo Vasconcelos, que haveria sim uma chapa concorrente. E o líderes de Madureira sabiam disso. Como explicar então a surpresa esboçada por Ferreira em suas memórias? Teria a Missão guardado em segredo esse plano durante meses, ou sabendo de tudo isso, Madureira foi para uma verdadeira quebra de braço com a Missão?

Manoel Ferreira, lembra com orgulho em seu depoimento, que após a morte de Paulo Leivas Macalão em 1982, o Ministério conseguiu se organizar e vencer a CGADB de 1983. Mesmo abalados com a morte de seu mítico fundador e desacreditados, a chapa de Madureira venceu, ainda que por margem mínima de votos. Não seria essa a tática a ser novamente posta em prática? Derrotar as tramoias inimigas e sair de Salvador engrandecidos como Ministério.

Pastor Alcebiades, relata em suas reminiscências sobre a polêmica convenção, o fato de que Madureira para vencer a eleição indicou dois reconhecidos pastores ligados a Missão em sua chapa e "lançou falação em propaganda a seu favor, de modo nitidamente político partidário". Segundo Vasconcelos os convencionais ainda "se defrontaram com a propaganda acintosa de pastor Manoel Ferreira, candidato à presidência pelo Ministério de Madureira, até na antecâmara do plenário da eleição".

Diante desse quadro, Alcebiades declarou usar como arma o silêncio e distribuiu um "pequeno impresso com os nomes dos candidatos integrantes da chapa". Afirmou ainda, que a CGADB daquele ano poderia ter "produzido melhores frutos" caso não fosse realizada com o "espírito político". É lógico que a narrativa de Vasconcelos é sua versão dos fatos, ou seja, contempla só uma lado da crise envolvendo os Ministérios das ADs.

Realmente, a Convenção de 1987, além de ser uma disputa de votos e influências, passou para a história como a guerra de versões. Cada lado procurando legitimar suas ações, dentro da complexa rede de interesses ministeriais. 

Fontes:


ARAÚJO, Isael de. José Wellington - Biografia. Rio de Janeiro: CPAD, 2012

ARAÚJO, Isael de. Dicionário do Movimento Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2007.

DANIEL, Silas. História da Convenção Geral das Assembléias de Deus no Brasil. Rio de Janeiro: CPAD, 2004.

FERREIRA, Samuel (org.) Ministério de Madureira em São Paulo fundação e expansão 1938-2011. Centenários de Glórias. cem anos fazendo história 1911-2011 s.n.t.


FRESTON, Paul. Breve História do Pentecostalismo. In: ANTONIAZZI, Alberto. Nem anjos nem demônios; interpretações sociológicas do pentecostalismo. Petrópolis: Vozes, 1994.


VASCONCELOS, Alcebíades Pereira; LIMA, Hadna-Asny Vasconcelos. Alcebíades Pereira Vasconcelos: estadista e embaixador da obra pentecostal no Brasil. Rio de Janeiro: CPAD, 2003.

Mensageiro da Paz. Rio de Janeiro: CPAD, janeiro de 1985

Mensageiro da Paz. Rio de Janeiro: CPAD, junho de 1986

Mensageiro da Paz. Rio de Janeiro: CPAD, julho de 1986

Mensageiro da Paz. Rio de Janeiro: CPAD, março de 1987

sábado, 11 de outubro de 2014

CGADB de 1987 - a busca pela (des) união

Na postagem anterior, se observou que a CGADB de 1987 foi desastrosa para a unidade das ADs. Esse encontro convencional, com certeza foi um dos últimos capítulos da conturbada convivência entre os ministérios ligados a Missão e Madureira. Mas quais teriam sido as cenas finais dessa tumultuada relação?

Primeiro é bom lembrar que, a aclamação da famosa "chapa do consenso" na CGADB de 1985, a qual foi resultado de um acordo das lideranças para contornar uma possível divisão, era tão somente um sinal da precária harmonia das ADs. Após a ratificação da "chapa do consenso", uma das matérias de destaque do Mensageiro da Paz (janeiro de 1985) sobre a Convenção Nacional intitulada "Preservada a unidade nas Assembleias de Deus" denunciava o clima de desunião entre os convencionais.

Chapa do consenso: manobra para contornar divisão nas ADs

Um ano depois, outra reunião de pastores preconizaria um forte confronto de lideranças. Alcebiades Pereira Vasconcelos, conta em sua biografia, que no início do ano de 1986 em uma reunião extraordinária de líderes das ADs do Norte em Porto Velho, foi lançado o "Manifesto das Lideranças das Assembleias de Deus no Norte do Brasil", o qual deveria ser apresentado em um Encontro de Lideranças em abril do mesmo ano em São Paulo. O Manifesto tinha como última cláusula a "proposta de uma chapa completa para a próxima Mesa Diretora da CGADB, a reunir-se em janeiro de 1987, em Salvador, BA". Nessa chapa, o pastor Vasconcelos seria apresentado como presidente.

Era evidente nesse manifesto, dois possíveis descontentamento dos líderes do Norte. Primeiro era a reação ao domínio nas últimas convenções de Mesas Diretoras com presidentes da região Sul e Sudeste. Afinal foi no Norte que a AD iniciou seus trabalhos, e agora a liderança dessa região ficava à margem do posto máximo da CGADB, assistindo a polarização entre Madureira e os ministérios ligados à Missão. Segundo: Madureira havia aberto nos últimos anos trabalhos no Norte. Um claro sinal de que o expansionismo do ministério assustava.

Para piorar, no Encontro de Lideranças, segundo o reverendo Vasconcelos "foi notado que havia seis candidatos postulando a presidência" da CGADB. Mesmo assim, houve acordo e Alcebiades foi escolhido para concorrer a presidência, em uma chapa com fortes representantes das ADs de todas as regiões do Brasil, e sem nenhum nome de Madureira.

Do tal encontro é certo que as rivalidades se acentuaram. A desagregação era tamanha, que no editorial do Mensageiro da Paz em junho de 1986, Nemuel Kessler fez a observação sobre alguns problemas (não revelados) do encontro de líderes em São Paulo, os quais somente foram atenuados com uma diplomática visita do então presidente da CGADB José Pimentel de Carvalho, e José Wellington Bezerra da Costa do Belenzinho entre outros, a Convenção Nacional de Madureira realizada no Rio de Janeiro. Segundo Kessler "A partir desse encontro começaram a dissipar-se os efeitos de desagregação proveniente do último encontro de lideranças realizado em São Paulo..."

Segundo a matéria do MP (julho de 1986), nessa Convenção de Madureira, o discurso de união dos cardeais da AD mais uma vez, implicitamente, deixava transparecer o contrário. Pastor Pimentel declarou na convenção que "nosso desejo maior é a união, queremos ter paz, queremos viver unidos até a vinda de Cristo...". Por sua vez, pastor Lupércio Vergniano polidamente desconversou e respondeu que a "Esta é uma Obra de Deus, se o nosso Deus fosse morto nós não estaríamos aqui porque a mesma não existiria".

Assim, entre artigos e discursos conclamando a unidade da igreja, e interesses controversos, a liderança assembleiana rumava para a Convenção de 1987. O quente janeiro daquele ano teria sua temperatura potencializada com a disputa acirrada, e a polêmica vitória do veterano Alcebiades Vasconcelos. Mas isso é assunto para a próxima postagem...

Fontes:


ARAÚJO, Isael de. José Wellington - Biografia. Rio de Janeiro: CPAD, 2012

ARAÚJO, Isael de. Dicionário do Movimento Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2007.

DANIEL, Silas. História da Convenção Geral das Assembléias de Deus no Brasil. Rio de Janeiro: CPAD, 2004.

FERREIRA, Samuel (org.) Ministério de Madureira em São Paulo fundação e expansão 1938-2011. Centenários de Glórias. cem anos fazendo história 1911-2011 s.n.t.


FRESTON, Paul. Breve História do Pentecostalismo. In: ANTONIAZZI, Alberto. Nem anjos nem demônios; interpretações sociológicas do pentecostalismo. Petrópolis: Vozes, 1994.


VASCONCELOS, Alcebíades Pereira; LIMA, Hadna-Asny Vasconcelos. Alcebíades Pereira Vasconcelos: estadista e embaixador da obra pentecostal no Brasil. Rio de Janeiro: CPAD, 2003.

Mensageiro da Paz. Rio de Janeiro: CPAD, janeiro de 1985

Mensageiro da Paz. Rio de Janeiro: CPAD, junho de 1986

Mensageiro da Paz. Rio de Janeiro: CPAD, julho de 1986

Mensageiro da Paz. Rio de Janeiro: CPAD, março de 1987

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

CGADB de 1987 - um desastre para a unidade da igreja

Centro de Convenções, Salvador, Bahia. Foi nesse local que, entre os dias 19 e 23 de janeiro de 1987, a CGADB realizou uma das mais disputadas convenções de sua história. Nesse conclave, o Ministério de Madureira e os representantes da Missão travariam um embate acirrado.

Apesar de historicamente ser um fato recente, o evento ainda é cercado de polêmicas e versões desencontradas. Mas, em um ponto há algo nessa CGADB, que é inegável: o conflito de interesses, os quais colocaram as lideranças da Missão e Madureira em forte antagonismo, mesmo que em anos anteriores as tentativas de conciliar as divergências tenham sido constantes.

MP de 1987: CGADB desastrosa para a unidade das ADs
É fato que, depois do falecimento de Paulo Leivas Macalão em 1982, as cobranças sobre Madureira se intensificaram. Tido como expansionista Macalão e seu ministério eram vistos com reservas por muitos pastores da AD. Freston fala que a morte de Macalão "foi o sinal para que os outros líderes assembleianos aumentassem a pressão contra Madureira, talvez esperando que implodisse". Sem seu respeitado e mítico fundador, a liderança de Madureira lutou e se articulou para superar as dificuldades.

Mas, contraditoriamente, o discurso naquela década era de união, e quando mais as lutas se intensificavam, mais a ênfase na unidade era exaltada. Porém, a realidade das convenções era incompatível com a retórica oficial. Na CGADB de 1981, os pastores Luiz Bezerra da Costa e José Pimentel de Carvalho concorreram à presidência da instituição. Luiz Costa afirmou estar convicto de sua candidatura, porém alguns "convencionais se manifestaram não concordando com a candidatura" do irmão mais velho de José Wellington.

Em 1983 na cidade de Vila Velha (ES), a convenção ocorreu sob o tema "A unidade da Igreja". Mas de forma irônica, o encontro nacional foi marcado com a disputa de quatro chapas concorrentes, numa eleição polarizada entre Manoel Ferreira e José Wellington, onde houve até recontagem de votos e grande celeuma. Em Anápolis (GO) em 1985, sob fortes tensões e expectativas, foi aclamada a "chapa do consenso", a qual revelava de forma velada o enorme dissenso das lideranças.

Em 1987, o nível de tensões na CGADB chegou a um ponto máximo, as quais se arrastavam durante anos, pois em cada conclave as divergências aumentavam. Porém, alguns fatores contribuíram para arruinar a frágil conciliação entre os ministérios. Grandiosa em números de participantes, a CGADB daquele ano foi desastrosa para a unidade das ADs. 

Ainda que o Mensageiro da Paz tenha observado que "A maior preocupação de todos...era com a unidade da igreja", a qual "deveria ser preservada qualquer que fosse o resultado da eleição", as ações por parte de muitos obreiros visou justamente o contrário. Em suma: para a Missão foi uma grande vitória. Para Madureira um golpe, uma traição.

Na próxima postagem as versões dos acontecimentos serão detalhadas. A narrativa dos principais atores dessa disputa revistas, e assim um novo quadro histórico poderá ser construído daquela memorável convenção.

Fontes:

ARAÚJO, Isael de. José Wellington - Biografia. Rio de Janeiro: CPAD, 2012


ARAÚJO, Isael de. Dicionário do Movimento Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2007.

DANIEL, Silas. História da Convenção Geral das Assembléias de Deus no Brasil. Rio de Janeiro: CPAD, 2004.


FERREIRA, Samuel (org.) Ministério de Madureira em São Paulo fundação e expansão 1938-2011. Centenários de Glórias. cem anos fazendo história 1911-2011 s.n.t.


FRESTON, Paul. Breve História do Pentecostalismo. In: ANTONIAZZI, Alberto. Nem anjos nem demônios; interpretações sociológicas do pentecostalismo. Petrópolis: Vozes, 1994.

Mensageiro da Paz. Rio de Janeiro: CPAD, março de 1987