terça-feira, 18 de novembro de 2014

Perfil - Jacó Rodrigues Santiago

Na Assembleia de Deus em Ipatinga - Leste de Minas Gerais - congrega um talentoso presbítero, descrito por um conhecido blogueiro da região como uma "pessoa inteligente, curiosa, dinâmica, preparada, competente", sua presença, suas ideias e sugestões são sempre bem-vindas nas atividades especiais da igreja.

Apesar de ser citado de forma tão gentil, Jacó Rodrigues Santiago é um homem simples e recatado, e nem parece ser (para usar as palavras do blogueiro amigo) um "arquivo". Porém, o mineiro do Distrito de Cachoeira Escura, município de Belo Oriente possui um conhecimento invulgar sobre a história das Assembleias de Deus; resultado de anos de convivência, leituras e pesquisas sobre a denominação no Brasil.

Nascido em lar assembleiano no dia 27 de abril de 1959, o primogênito de Josias e Ana Santiago teve seu nome foi escolhido pela avó paterna que, ao abrir a Bíblia se deparou com o nome da antigo patriarca hebreu - Jacó. Nesse tempo, Josias passou a cooperar na obra de Deus como evangelista autorizado pelo líder do Campo de Coronel Fabriciano, pastor José Alves Pimentel. 


Jacó e família: apaixonado pela história das ADs
Morando na cidade de Governador Valadares, Jacó lembra que em sua infância seu "pai tinha uma barraquinha de bijuterias no Mercado Municipal". A família frequentava os cultos no templo-sede da Assembléia de Deus, onde Jacó se destacava como cantor mirim. A igreja era pastoreada pelo pioneiro pastor Ormídio Siqueira das Neves. 

Mas, a vida de um obreiro não era assim fácil naqueles tempos. Enquanto o menino Santiago crescia, ele e seus irmãos acompanhavam o pai em suas andanças de evangelista. Vale lembrar que naqueles dias, as igrejas, além de serem pobres e de recursos financeiros limitados, eram localizadas em áreas de difícil acesso. Para visitá-las eram necessárias longas caminhadas, ou o uso da bicicleta ou do cavalo.

Entre 1968 a 1971, Josias Santiago e família mudam-se para Belo Horizonte. Os ares da capital mineira foram excelentes para o menino, pois em BH Jacó tomou gosto pela música "aprendi a tocar um acordeon de 48 baixos que meu pai havia comprado" relata ele em suas reminiscências. Ao voltar para a cidade de Coronel Fabriciano, o então adolescente passa a conviver com dois obreiros que lhe marcaram profundamente a existência: pastor Antônio Rosa e José Alves Pimentel.

Foi justamente o pastor Rosa, que lhe convidou em 1974 para trabalhar alguns meses como secretário da AD em Ipatinga. Nesse curto espaço de tempo formou muitas e duradouras amizades. Enquanto seu pai trabalhava como obreiro, Jacó cuidou de seguir sua vida profissional. Com 17 anos incompletos ingressou na Usiminas onde ficou por 25 anos até se aposentar. 

Nesse período, o jovem Santiago se casou com a jovem Dalva. Um namoro, noivado e casamento rápido (máximo seis meses), pois Santiago estava longe da casa paterna e precisava constituir família para si. Tornou-se pai de três filhos (Josias Neto, Júnia e Débora), comprou casa e carro, mas nunca deixou de cooperar na igreja, principalmente na área musical.

Fascinado pela história, Jacó Santiago sempre foi leitor voraz das principais revistas editadas pela CPAD e do jornal Mensageiro da Paz. No ano de 1998, lançou com apoio do Ministério local a primeira edição do livro histórico Assembleias de Deus do Vale do Aço, ocasião em que a igreja na região comemorava o seu Jubileu de Ouro. Em maio de 2002, mais um livro: Entre Rosas e Espinhos: uma biografia do Pastor Antônio Rosa da Silva.

Com o advento da internet, Santiago criou um blog com textos variados sobre a história da igreja e de seus líderes. As redes sociais são também outro grande instrumento para a divulgação das memórias assembleianas. Sua fan-page Assembleia de Deus no Brasil e no Mundo (33 mil curtidas) trás fotos pacientemente "caçadas", as quais ele organiza em álbuns e compartilha com todos os internautas. Uma das curiosidades dessa página são as imagens dos templos assembleianos espalhados pelo Brasil. Um olhar atento a essas fotos revelará a diversidade e heterogeneidade das ADs representada em suas construções.

Jacó como bom estudioso da história das ADs, procura estar atento aos acontecimentos recentes que envolvem a denominação no país. As constantes fragmentações, escândalos e lutas internas são observados por ele com preocupação e temor. Conheceu pessoalmente muitos dos pioneiros, e lamenta que o legado dos patriarcas seja desperdiçado por novas gerações de obreiros imaturos e inconsequentes.

Seu blog e suas páginas nas redes sociais são de certa forma uma maneira de tentar resgatar antigos valores. Não é extremista, mas entende que servir a Deus, ou ser crente ainda envolve compromissos e dedicação. Dedicação essa que procura praticar sempre na área musical, uma das sua especialidades. Gosta de postar vídeos de corais e orquestras, e assim divulgar a boa música clássica. Enfim, como todo bom mineiro, Santiago trabalha quieto, mas de forma eficiente para a conservação das memórias das Assembleias de Deus.

Fontes:

blogdosilas.com

Jacorodriguessantiago.blogspot.com.br

Entrevista com Jacó Rodrigues Santiago via online.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Manoel Francisco da Silva - um pioneiro em Madureira

* Por André Silva

Manoel Francisco da Silva, nasceu no 14 de abril de 1895, na pequena cidade de Paty do Alferes (RJ), e desde cedo se dedicou inteiramente a Obra do Senhor, pois nascera em lar cristão. Seus pais, Jacinto Neres da Silva e Jovelina Maria da Conceição eram membros da Igreja Irmãos Unidos.

Porém, como todo rapaz do interior sonha com a cidade grande, Manoel veio para o Rio de Janeiro tentar uma vida melhor. Tendo chegado ao ano de 1930, com até então sua pequena família, passou a freqüentar a Igreja Irmãos Unidos, e depois a Igreja Congregacional em Bangu. Até que, ouvindo a poderosa mensagem pentecostal no dia 3 de janeiro de 1932, uniu-se a Assembleia de Deus em Bangu. No dia 20 de fevereiro de 1932, foi Batizado com o Espírito Santo, e no dia 28 de fevereiro do mesmo ano, passou pelo batismo nas águas.

Tornou-se um grande evangelizador, sempre acompanhado de seu trombone de inteira dedicação à Obra de Deus. Paulo Macalão viu em Manoel Francisco um dinâmico obreiro; o consagrando a diácono em 22/07/1934 na Assembleia de Deus em Bangu, na Rua Ribeiro de Andrade, nº 13 (hoje, nº 65).

Pastor Manoel na década de 40: evangelismo com a Bíblia e trombone
Paulo Leivas Macalão, nunca havia separado alguém ao pastorado, e viu no Manoel Francisco as excelentes qualificações. Resolveu o consagrar ao pastorado no dia 10 de maio de 1938. Segundo o Pr. David Cabral, o primeiro pastor consagrado pelo pastor Paulo Macalão. Seu ministério foi marcado pelos lugares que percorria como um autêntico evangelista, evangelizando muitas vezes a pé ou de bicicleta, sem se cansar. Na página 32, do livro de Zélia Brito Macalão, Traços da Vida de Paulo Leivas Macalão – CPAD – (1986); ela chama o Pr. Manoel Francisco de “baluarte de fidelidade” e na página 32 de “grande cooperador”

Pastor jovem e dinâmico que enfrentava sol e chuva para visitar irmãos que residiam em colônias distantes, quando não existia pontes sobre os rios, não existia estradas e nem transportes. As boas novas do Evangelho espalhavam-se pelo interior da antiga capital da República. O progresso de evangelização no interior pelo pastor Paulo Leivas Macalão, centravam os esforços do cooperador inseparável do Manoel Francisco da Silva.

O pastor Manoel Francisco fundou e liderou muitas igrejas, entre as quais as Assembleias de Deus em Marechal Hermes, Campo Grande, Cosmos, Itaguaí, Km 50 (Seropédica), Santa Alexandrina, Santa Cruz, Maria da Graça, e no Brás, em São Paulo. No ano de 1933 o pastor Paulo Leivas Macalão, designou, Manoel Francisco da Silva, que ainda era diácono para a direção da Assembleia de Deus em Santa Cruz (RJ), onde permaneceu até 1939.

O pastor Macalão transferiu a sede de seu ministério para o bairro de Madureira, cuja sede na Rua João Vicente, nº 07, assumiu personalidade jurídica em 21 de outubro de 1941. E a igreja de Bangu ficou na direção com o pastor Manoel Francisco que também acumulou o cargo de vice-presidente da Assembleia de Deus em Madureira (RJ) (*Ata da AD Madureira).

Assumiu a vice-presidência da Assembleia de Deus em Marechal Hemes (RJ) em 29/03/1942. Época em que o pastor Macalão assumia a presidência das igrejas de seu ministério, e os líderes eram denominados de vices-presidentes. Manoel Francisco permanecendo em Marechal Hermes até 1944. Em abril de 1947 retornou a vice-presidência da Assembleia de Deus em Marechal Hermes, aonde permaneceu até 1949, sendo substituído pelo pastor Enoch Alberto da Silva.

Pastor Manoel: década de 70
Participou da 4ª Semana Bíblica de Obreiros das Assembleias de Deus no Brasil, realizada em São Cristóvão (RJ), em 1943, e das discussões na Convenção Geral em São Paulo, 1947 sobre a escolha do local para as instalações da CPAD – Casa Publicadora das Assembleias de Deus.

No ano de 1951, o pastor Manoel Francisco da Silva recebeu das próprias mãos do pastor Macalão a presidência da Assembleia de Deus em Bangu, assumindo o indeclinável compromisso moral e espiritual de apoiar por si e por seu presidente geral, pastor Paulo Leivas Macalão. Posteriormente Manoel Francisco ampliou o templo da Assembleia de Deus em Bangu.

Manoel Francisco também foi um dos pastores colaboradores na fundação da Convenção Nacional dos Ministros Evangélicos da Assembleia de Deus de Madureira e Igrejas Filiadas, que elegeram em 2 de maio de 1958, o pastor Paulo Leivas Macalão a pastor geral do Ministério de Madureira. Hoje conhecida pela sigla CONAMAD.

Em 23 de Junho de 1959 a Assembleia de Deus em Santa Cruz (RJ) deixa de ser congregação da Assembleia de Deus em Bangu, assumindo personalidade jurídica, ficando o novo campo sob a presidência do pastor Manoel Francisco de Bangu, que presidiu até 22 de outubro de 1963. Participou ainda da fundação da Convenção Estadual dos Ministros de Madureira no Rio de Janeiro, em 20/11/1962. Hoje conhecida pela sigla CONEMAD-RJ. Em 27/03/1963, assumiu a presidência da Assembleia de Deus no Brás (SP), na Rua Major Marcelino, nº 331, São Paulo, até 24/01/1964, quando retornou para Bangu.

O pastor Manoel Francisco da Silva, após sofrer um acidente; estando muito debilitado para o exercício das funções eclesiásticas, foi afastado da presidência da igreja, permaneceu até o dia 26 de setembro de 1971. No dia 10 de outubro de 1977, Deus leva para si o seu servo fiel, o pastor Manoel Francisco da Silva, que foi recolhido ao descanso eterno, deixando em Bangu um legado inestimável, o trabalho em favor do Reino de Deus. Manoel Francisco era casado com a irmã Umbelina Ferreira da Silva, com quem dividiu suas alegrias de homem de Deus, pai, avô e bisavô. 

* ANDRÉ SILVA foi ministro do Evangelho pela CONAMAD. Historiador e pesquisador da História do Ministério de Madureira. Autor do livro História da Assembleia de Deus em Bangu. Colaborador com o material histórico da Bíblia do Centenário das Assembleias de Deus e livro histórico do Cinquentenário da CONEMAD-RJ, ambos lançados pela Editora Betel.

Fontes: 

ALCIDES, Pr. Antônio. Memorial Assembleia de Deus em Marechal Hermes – 2004, página 19, 20, Edição do autor.

CABRAL, David. Assembléias de Deus: A Outra Face da História - Editora Betel – 3ª Edição (2002), página 120

CONDE, Emílio. História das Assembleias de Deus no Brasil: CPAD, 5ª Edição, 2006, páginas 218, 219

DANIEL, Silas. História da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil: CPAD – 1ª Edição – 2004. 

Estatuto da CONAMAD – Editora Betel (1997)

LUIZ, André. História da Assembleia de Deus em Bangu – 2006 – Edição do Autor.

MACALÃO, Zélia Brito. Traços da Vida de Paulo Leivas Macalão – CPAD – (1986).

Outras fontes: Ficha de Cadastro da Assembleia de Deus em Bangu (RJ) Dados pessoais fornecido pela família Rol de Membros da AD Bangu (1946) Atas da AD Bangu Atas da AD Madureira – Acesso com o consentimento do Pr. Atayde Ataliba (secretário da igreja).

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Perfil - Antônio Negreiros

Quem viu aquele simples garoto aos 10 anos de idade, moreno e franzino, aceitar a Jesus juntamente com a sua mãe na congregação da Assembleia de Deus de Monte Castelo em Teresina - Piauí no ano de 1973, talvez nem sequer imaginaria os caminhos que percorreria no ministério da denominação e se tornaria num conhecido pastor da igreja.

A Assembleia de Deus entrou na história da família Negreiros quando em 1952, a bisavó de Antônio, dona Maria Luíza Negreiros com o esposo e filhos aceitaram a Cristo em um culto realizado em sua casa. Tempos depois, dona Maria resolveu presentear o neto Francisco (pai de Antônio) com um exemplar da Bíblia quando ele ainda era um adolescente. Anos depois, aquela semente germinaria, pois já adulto e casado, o neto de dona Maria iria levar sua própria família ao evangelho.

Assim, aos 10 anos de idade, o bisneto da anciã começava a dar seus primeiros passos no movimento pentecostal. Iniciou seus trabalhos na igreja como professor da Escola Bíblica Dominical. Depois foi tesoureiro, secretário, regente de conjunto juvenil e líder de mocidade. Eram tempos românticos para o jovem Antônio, tempos de dificuldades, mas de muita fé e devoção.

 Negreiros com o pastor Firmino: admiração pelo veterano obreiro

Na memória do pastor Negreiros ainda há muitas lembranças dos cultos fervorosos, das grandes manifestações espirituais, línguas estranhas, profecias, revelações, curas, expulsão de demônios e revelações. Nas celebrações - recorda ele - irmãos doavam seus instrumentos musicais e utensílios para serviço e uso exclusivo no templo. Costume esse praticamente extinto nas igrejas atualmente.

Com apenas 21 anos, Antônio Negreiros ingressou no seminário teológico da Assembleia de Deus em Belém do Pará. Na verdade seu sonho era ser engenheiro, mas devido às circunstâncias imediatas, optou por ser seminarista. Foi uma rica experiência, pois além do aprendizado com excelentes professores, Negreiros ainda desfrutou da companhia de pioneiros da Assembleia de Deus ainda vivos naquele período.

Formado em teologia em 1987, estagiou como dirigente de uma congregação em Belém. Dois anos depois, em uma convenção regional na cidade de Capanema (PA), o jovem obreiro foi separado para o ministério de evangelista. A data não poderia ser mais simbólica: 18 de junho, dia em que a Assembleia de Deus no Brasil foi fundada.

Tempos depois, graduou-se em pedagogia, e trabalhou durante 18 anos como professor, secretário e diretor da escola teológica em Belém e Teresina. Lidando com alunos, e outros mestres, Negreiros somou mais experiências ministeriais. Na verdade, Antônio se sente um eterno aprendiz das verdades bíblicas.

Das experiências de vida, Negreiros recorda com certo orgulho das suas viagens. A primeira foi ao Recife, em um marcante congresso de jovens no ano de 1983 quando ela ainda era líder de mocidade. Depois, sempre que aparecia uma boa oportunidade, lá estava ele de malas prontas para conhecer outros locais. Com o tempo de ministério, as pregações e os contatos obtidos, Antônio passou a visitar vários estados do Brasil (19 ao todo),e países na África, Europa, Ásia e América.

Todas essas viagens deram-lhe uma boa experiência para pregar e ensinar com uma visão mais crítica das culturas e realidades no qual está inserido. Seus horizontes culturais se expandiram, transformando suas concepções de igreja e sociedade. Porém, para o pastor Negreiros, sempre foi de suma importância compartilhar todas esses conhecimentos com seus irmãos de fé, principalmente aqueles que não tiveram o as oportunidades que ele mesmo teve. Ao pensar nessas ricas oportunidades gosta de recordar o versículo bíblico (Samuel 7.12) "...Até aqui nos ajudou o Senhor".

Durante esse tempo de ministério conviveu com alguns renomados líderes assembleianos, que aprendeu a respeitar e admirar. Paulo Belisário Carvalho, Firmino de Anunciação Gouveia, Raimundo de Oliveira, Samuel Câmara e José da Silva Neto. Do atual pastor em Teresina Nestor Henrique Mesquita, além da admiração, Negreiros ainda lembra o culto, no qual pastor Mesquita foi enviado como missionário para a Espanha em 1973.

De todas as reminiscências da vida e ministério, pastor Negreiros gosta de recordar "como os irmãos se empenhavam em ganhar e discipular uma pessoa". Em suas lembranças essa atitude era tão forte na vida dos crentes, que a mulher que ganhou sua mãe para Jesus, vivia no encalço da sua família para levá-los para os cultos na igreja. Valeu o esforço, pois da família saiu um pastor. Santa persistência...

Fonte:

Entrevista com o pastor Antônio Negreiros via e-mail.