sábado, 30 de julho de 2016

Pastor Carneiro - o ministério das controvérsias

Antônio Alves Carneiro obteve autonomia junto à Madureira. Com grande contrariedade, Paulo Macalão, não conseguiu à exclusão do pastor de Anápolis na CGADB de 1962. O Ministério carioca teve que recomeçar o trabalho na cidade com um remanescente fiel.

Em 1969, o Mensageiro da Paz publicou uma elogiosa matéria sobre a AD anapolina. Seu líder é apresentado no periódico como um obreiro "dinâmico" e empreendedor, a frente de um trabalho com 5 mil membros distribuídos por 18 municípios de Goiás, programa de rádio e forte trabalho assistencial. Um dado interessante: Carneiro estava exercendo mandato de vereador, coisa não muito comum naqueles dias dentro da denominação.

Antônio Carneiro: controvérsias no ministério 

Situada estrategicamente entre Goiânia e Brasília, na década de 1960, Anápolis viu sua população crescer mais de 50%. Era o resultado das políticas desenvolvimentistas implantadas pelo governo federal na região central do país. As ADs se beneficiavam, e cresciam também na mesma proporção.

Na CGADB de 1971, novamente Antônio Carneiro envolveu-se em um enorme conflito. Não há detalhes sobre o caso, mas Silas Daniel relata no livro História da Convenção Geral, que a criação da Convenção de Ministros Unidos de Anápolis gerou grandes dissensões entre os Ministérios de Madureira e da Missão.

Carneiro teve que renunciar a presidência da recém criada convenção, e sua participação na Convenção Fraternal da Guanabara (hoje estado do RJ) foi vetada por Túlio Barros. É possível que a ingerência da AD em São Cristóvão (RJ) na região, que tradicionalmente era reduto de Madureira, estivesse trazendo toda a questão do litígio ministerial.

Em 1983, depois de anos fora da Convenção Geral, pastor Carneiro é reintegrado aos quadros de obreiros da instituição. Declarou ele na época, que "não houve qualquer imposição por parte da Convenção quanto à integração das suas igrejas ao seio da CGADB". Imposição: talvez essa fosse a grande questão na ruptura com Madureira em 1960.

Em 1985, a AD em Anápolis teve a honra de hospedar a Convenção Geral em 1985. Sinal de prestigio para Carneiro. A primeira CGADB no Centro-Oeste poderia ser realizada numa igreja filiada a Madureira, pois as ADs na região pertenciam majoritariamente à obra fundada por Macalão. Mas, foi numa dissidência que o encontro nacional de líderes ocorreu.

Um ano depois (1986), após presidir por 25 anos a AD em Anápolis, Antônio Carneiro solicitou sua jubilação (aposentadoria) em caráter irrevogável. O pastor José Clarimundo César foi escolhido para liderar a igreja. Aos 37 anos de idade, o líder teria agora o desafio de guiar o grande rebanho. Formado em odontologia, direito e teologia, Clarimundo recebeu uma igreja, que na época contava com mais de 23 mil membros distribuídos em 30 congregações na cidade. Parecia uma sucessão tranquila. Parecia... 

Dois anos depois de deixar o comando da igreja, pastor Carneiro voltou à cena. Mas desta vez para acusar seu "ex-pupilo" e sucessor. Segundo matéria da revista Veja, o ex-pastor de Anápolis acusou César por desvios em questões morais e do não pagamento do provento mensal fixado em 10 salários mínimos. 

Segundo o antigo líder, José Clarimundo "convenceu-o a pedir aposentadoria" depois da morte da esposa e seu visível desgaste emocional e físico. Houve ainda o acerto do valor salarial que jamais seria reduzido. Cobrou a promessa na justiça.

Diante de tão sérias acusações, pastor Antônio teve seu ordenado cortado e sua frequência na igreja proibida. Outra exclusão? Pastor César, diante das graves acusações evitou comentar questões internas da igreja e reivindicou o apoio familiar em meio à crise.

A solução do caso nunca foi divulgada, mas até hoje, pastor José Clarimundo está na liderança da AD em Anápolis. Antônio Carneiro faleceu no dia 05 de agosto de 2006, aos 82 anos de idade. Nunca lhe faltou pioneirismo e controvérsias no ministério. Marcou uma época.

Fontes:

ARAÚJO, Isael de. Dicionário do Movimento Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2007.

d'AVILA, Edson. Assembleia de Deus no Brasil e a política: uma leitura a partir do Mensageiro da Paz. Dissertação (Mestrado) - Universidade Metodista de São Paulo, Faculdade de Filosofia e Ciências da Religião, Curso de Pós-Graduação em Ciências da Religião. São Bernardo do Campo, 2006.

DANIEL, Silas. História da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil. Rio de Janeiro: CPAD, 2004.

TÉRCIO, Jason. Os Escolhidos - a saga dos evangélicos em Brasília. Brasília: Coronário, 1997. 

Mensageiro da Paz, maio de 1969, ano 39 - nº 9, p.8.

Acervo Digital Revista Veja 04/05/1988. p. 80-81.

http://www.jornalcontexto.net/admin/images/71238100_1267185454.pdf

http://www.anapolis.go.gov.br/portal/arquivos/files/Caderno4(1).pdf

sábado, 23 de julho de 2016

Pastor Carneiro - autonomia, exclusão e tensões na CGADB

Ao trocar Brasília por Anápolis, Antônio Carneiro exigiu autonomia e, Paulo Macalão, para não perder a estratégica AD na futura capital do país fez a barganha. Para facilitar as negociações, Macalão apelou para uma profecia que, infelizmente, não previu as dificuldades futuras e a perda da igreja anapolina.

Não há informações claras sobre as razões da cisão, mas há possibilidade do rompimento estar ligado à centralização de poder feita por Macalão em 1958, quando ele é eleito pastor geral do Ministério e cria a Convenção Nacional de Madureira. Para assegurar a unidade institucional elabora o "Estatuto Padrão", visando "garantir a comunhão fraternal, espiritual, doutrinária e patrimonial".

É provável, que a centralização tenha desagradado o pastor da AD em Anápolis. Carneiro era um obreiro dinâmico, ousado e empreendedor. A personalidade dele, talvez não se moldasse às imposições vindas do Rio de Janeiro. 

Carneiro: exclusão e autonomia

Por sua vez, Macalão não aceitava arroubos de autonomia. Obreiros "que demonstrassem personalismo e um mínimo de independência eram severamente repreendidos, às vezes punidos com transferência para outra igreja ou simplesmente excluídos" - conforme informa Jason Tércio em seu livro Os Escolhidos

Portanto, o choque foi inevitável. No fim de 1960, pastor Carneiro com apoio da maioria dos membros, rompe com Madureira e funda o Ministério de Anápolis. A exclusão é decretada. Ou será, que a cisão, na visão do líder anapolino seria uma ação legitima e necessária para preservar a (prometida por Macalão) autonomia?

Na CGADB de 1962, realizada em Recife, o assunto entre Madureira e Anápolis foi tratado com grande tensão. Havia a resistência por parte de alguns pastores em publicar, como era de praxe, a exclusão de Carneiro no Mensageiro da Paz. Macalão em protesto não participa da convenção. 

Pastor Alípio da Silva, representando Madureira "fez um apelo à Convenção para que autorizasse a exclusão" no Mensageiro e não fosse permitida a entrada de Carneiro e do pastor José Rodrigues de Sobradinho no plenário convencional. 

Estevam Ângelo de Souza, líder da AD no Maranhão, por sua vez, defendia o direito de defesa, mas Alípio insistia "para que fosse respeitada a decisão" do Ministério. Após várias observações por parte de outros pastores, criou-se, a contragosto de Madureira, uma comissão para analise do litigio. 

Depois de muitas negociações, ficou acertado entre os obreiros de Madureira e Anápolis que "mutuamente" se esforçariam para "desarmar os espíritos" e selar um acordo de "reconciliação" e "pacificação" entre eles. Segundo a narrativa oficial, após o divulgação do acordo "o poder de Deus se manifestou" e houve "lágrimas sinceras". Somente depois dessa difícil negociação, os pastores Carneiro e José Rodrigues foram aceitos na convenção.

Assim, a própria história oficial deixa explícito o incômodo e as tensões derivadas das promessas e expectativas geradas pela expansão das ADs no coração do Brasil. Ironicamente, Brasília precocemente gerava (direta ou indiretamente) seus golpes. Nesse caso, um golpe eclesiástico.

Outros golpes viriam na "Capital da Esperança". Antônio Carneiro e a AD em Anápolis ainda seriam assunto nas CGADBs, no Mensageiro da Paz e na imprensa secular anos depois. 

Fontes:

ARAÚJO, Isael de. Dicionário do Movimento Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2007.

d'AVILA, Edson. Assembleia de Deus no Brasil e a política: uma leitura a partir do Mensageiro da Paz. Dissertação (Mestrado) - Universidade Metodista de São Paulo, Faculdade de Filosofia e Ciências da Religião, Curso de Pós-Graduação em Ciências da Religião. São Bernardo do Campo, 2006.

DANIEL, Silas. História da Convenção Geral das Assembléias de Deus no Brasil. Rio de Janeiro: CPAD, 2004.

TÉRCIO, Jason. Os Escolhidos - a saga dos evangélicos em Brasília. Brasília: Coronário, 1997. 

http://www.jornalcontexto.net/admin/images/71238100_1267185454.pdf

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Antônio Alves Carneiro - pioneiro em Brasília, dissidente em Anápolis

Antônio Alves Carneiro nasceu no interior de Minas Gerais, na cidade de Estrela do Sul em 1924. Católico e ex-seminarista, em 1948, através do primo Cristiano Alves Rodrigues (futuro pastor da AD) converteu-se ao evangelho. Ordenado pastor em 1950, trabalhou nas cidades de Olho d'Água, Catalão, Pires do Rio e Ipameri.

Brasília era apenas um sonho, quando no dia 19 de novembro de 1956, Carneiro e um grupo de pastores da AD de Madureira em Goiás visitaram o local. Havia tão somente "mata, cerrado e muito trabalho por realizar". Reunidos em círculo, os pioneiros oraram e informalmente iniciaram a AD na nova capital.

Ao visitar o acampamento da Novacap, onde peões trabalhavam freneticamente preparando o terreno para as futuras obras, receberam informações de que o governo doaria lotes na região: porém todas as construções deveriam ser feitas de madeira. Era o início da Cidade Bandeirantes ou Cidade Livre. Como observou Jason Tércio em seu livro Os Escolhidos "Brasília começava bem: tudo de graça e com a graça de Deus".

Impressionado com as promessas e as perspectivas de crescimento no planalto central, Carneiro "foi sendo cada vez mais atraído pela nova capital do país". Sentindo então o magnetismo da futura "Capital da Esperança", renunciou ao pastorado de Ipameri e resolveu iniciar a AD em Brasília. Morando em uma tenda de lona, evangelizava e realizava cultos ao ar livre com ajuda de alguns irmãos (inclusive presbiterianos) de outras localidades.

Pastor Carneiro: pioneiro em Brasília

Auxiliado por pastores assembleianos de Madureira que visitavam a região, mais algumas ofertas entre os poucos membros da nascente obra, aos poucos Carneiro foi levantando recursos para construção do primeiro templo na capital. "O presbítero Alípio da Silva, tesoureiro do templo-sede no Rio, também veio e deixou uma gorda verba" - destacou Tércio em seu livro.

Próximo a inauguração do templo, cartas foram enviadas convidando os principais pastores da AD para a inauguração: Alfredo Reikdal do Ipiranga, Cícero de Lima do Belenzinho e Joaquim Marcelino de Santo André e Paulo Macalão de Madureira. 

Talvez, por saberem que a jurisdição eclesiástica pertencia à Madureira, nenhum dos lideres convidados apareceu na inauguração, além de Macalão, no dia 15 de julho de 1957. Mas, para surpresa do líder carioca, Carneiro havia registrado o estatuto da igreja e se autonomeara presidente, ou seja, a congregação seria autônoma. Tudo que Macalão não queria. 

Findo o culto de inauguração, Macalão abordou Carneiro exigindo a transferência. O autonomeado pastor da AD em Brasília relutou. Argumentou que havia lutado muito naquela construção, mas reconhecia à dívida com Madureira. O impasse se formou, até que Macalão apelou para o sobrenatural. Contou a visão de uma irmã no Rio: um jovem pastor (Carneiro) indo para Anápolis, e um ancião (Antônio Moreira) seguindo para Brasília.

Impressionado com a profecia, Carneiro cedeu; não sem antes exigir de Macalão a autonomia da AD em Anápolis. Acertado o acordo, e com as bençãos divinas a troca foi realizada com êxito. No dia 17 de agosto, pouco mais de um mês depois da inauguração da igreja em Brasília, Carneiro assumiu a AD anapolina. 

Talvez, Macalão não esperasse que Carneiro iria levar tão a sério o desejo de autonomia. No final do ano de 1960, o jovem pastor de Anápolis resolveu romper com Madureira, levando consigo todo o patrimônio da igreja, deixando tão somente um remanescente fiel ao ministério carioca.

Pena que, na suposta visão, a irmã não previu a grande luta que se seguiria anos depois. Ao assegurar a congregação em Brasília, Macalão sem querer arrumou um enorme dor de cabeça e futuramente perderia uma promissora igreja. Carneiro, se tornaria (para Madureira) um "lobo"...

Fontes:

ARAÚJO, Isael de. Dicionário do Movimento Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2007.

TÉRCIO, Jason. Os Escolhidos - a saga dos evangélicos em Brasília. Brasília: Coronário, 1997.

sábado, 9 de julho de 2016

Silas - a trajetória de um Malafaia

Nascido em berço evangélico, Silas Lima Malafaia veio ao mundo no dia 14 de setembro de 1958, quatro meses depois de seu pai, Gilberto Malafaia ser separado ao presbitério na AD em Madureira (RJ) por Paulo Leivas Macalão.

A mãe, Albertina, ao recordar o difícil parto do filho, revelou que ele nasceu com cinco quilos e "de nádegas". Segundo a genitora, o famoso e polêmico Silas "já chegou sendo do contra". Seria uma sina? O que conhecem a família Malafaia sabem do forte temperamento dos seus membros, onde polemizar é uma constante.

Criado numa rotina de constante frequência à igreja e na escola bíblica dominical, Silas frequentou a classe "Ovelhinhas de Jesus". Chega a ser irônico para quem hoje o considera um manipulador das massas essa informação. Um dia ele foi ovelhinha...

Em casa, os pais realizavam cultos domésticos. Ali, cada um dos rebentos da família recebia treinamento nas funções litúrgicas. Revezavam-se na leitura da Bíblia, nos cânticos dos Hinos da Harpa, na explanação do texto bíblico e na oração. Outra atividade da infância da garotada era brincar de "cultinho".

Aluno mediano, com a supervisão dos pais (que eram professores), manteve boa regularidade nos estudos e no comportamento. Mais tarde, ao observar o exemplo do pai e dos irmãos mais velhos desejou seguir carreira militar. 

Nesse tempo, a família já estava congregando na AD na Penha (RJ), onde Gilberto se tornou vice-presidente do pastor José Santos. A proximidade entre os familiares dos dois líderes rendeu frutos. Ainda adolescente, Silas começou a namorar umas das filhas do pastor Santos, Elizete.

Pastor Gilberto, tempos depois, iniciou o trabalho da AD em Jacarepaguá. Sendo o mais novo dos filhos homens, Silas foi quem mais acompanhou o pai na atuação eclesiástica. Aprendeu muito observando-o nas convenções. Mas Gilberto, apesar do forte temperamento era polido em suas palavras. Malafaia, saiu mais ao estilo do tio Carlos, o qual (segundo Manuel Ferreira) "falava o que vinha na cabeça dele".

Silas Malafaia: estilo incisivo

O casamento com a filha do pastor Santos possibilitou o ingresso no ministério. Aos 23 anos já era pastor ganhando cinco salários mínimos por mês. Olhando em retrospecto, Silas provavelmente entraria no ministério de qualquer forma; se não fosse pelo sogro, seria pelas mãos do pai. E caso não herdasse a AD na Penha, herdaria a AD em Jacarepaguá.

Isael da Araújo, ao comentar sobre a ascensão de Malafaia observou que ele "despontou no Rio de Janeiro como pregador, com um estilo franco, aberto, direto, questionador e não-legalista". Porém, isso só foi possível com apoio da AD na Penha. Elitizada e mais aberta em questões de usos e costumes, denominada anteriormente de "igreja do pecado", a congregação liderada pelo sogro foi fundamental para o sucesso da caminhada ministerial.

Assim, com apoio familiar, de um amigo bem colocado na igreja e do empresário Sotero Cunha, Malafaia se aventurou na televisão. Levou para a TV o estilo incisivo de pregar nas igrejas. Atacava umbandistas e o clero esquerdista da Igreja Católica. Com essa tática agressiva conseguiu bons índices de audiência entre os programas evangélicos no Rio.

Paralelamente tentou outros negócios: loja de decoração, fábrica de guaraná gospel, emissora de rádio e produtora de comerciais voltada para o mercado evangélico. Segundo a Revista Piauí "Em seus negócios privados, sua grande alavancada, como ele diz, deu-se quando conseguiu vender Bíblias em parcelas a perder de vista na televisão". 

Dessa forma, sua editora Central Gospel cresceu consideravelmente. O programa Vitória em Cristo ganhou projeção nacional. Como na televisão a imagem é tudo, tirou o bigode e fez implante capilar para ganhar ar jovial. No universo midiático certas adaptações são necessárias. 

Teologicamente também houve transformações. De opositor à teologia da prosperidade, Malafaia, por senso de oportunidade ou necessidade de recursos financeiros, aderiu aos seus encantos. Politicamente, é voz ativa na defesa dos princípios cristãos. Procura sempre capitalizar os anseios dos crentes. Amado ou odiado, é impossível ignorá-lo. Malafaia continua cada vez mais Malafaia.

Fontes:

ARAÚJO, Isael. Dicionário do Movimento Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2007.

COSTA, Jefferson Magno. Biografia do Pr. José Santos - Os passos de um homem bom. Rio de Janeiro: Editora Central Gospel, 2011.

COSTA, Jefferson Magno. Pastor Gilberto Malafaia - Homem de fé, visão e coragem. Rio de Janeiro: Editora Central Gospel, 2014.

FERREIRA, Samuel (org.) Ministério de Madureira em São Paulo fundação e expansão 1938-2011. Centenários de Glórias. cem anos fazendo história 1911-2011 s.n.t.

http://piaui.folha.uol.com.br/materia/vitoria-em-cristo/

Acervo digital revista Veja, 16 de maio de 1990, p.48.

sábado, 2 de julho de 2016

A fábrica de pastores - a tese

Muito já se ouviu (ou escreveu) sobre à aversão inicial dos pioneiros das Assembleias de Deus (ADs) sobre o ensino teológico formal. Muitas foram as recomendações advertindo contra os "perigos" da teologia e dos institutos bíblicos, chamados pejorativamente de "fábricas de pastores".

Mas agora, os interessados na história e desenvolvimento desses conflitos internos das ADs, poderão acessar a tese de doutorado Fábrica de pastores: interfaces e divergências entre educação teológica e fé cristã comunitária na teologia pentecostal (Escola Superior de Teologia/São Leopoldo) do catarinense Claiton Ivan Pommerening.

Claiton, procura em sua dissertação, dentro da "perspectiva histórica" dar subsídios "sociológicos e teológicos" sobre "os avanços e retrocessos que a educação teológica empreendeu nas Assembleias de Deus no Brasil". 

Com esse objetivo, o estudioso detalha os embates que o tema provocou nas ADs, bem como abordar à construção dos currículos e as tensões entre os suecos, brasileiros e norte-americanos no desafio de fundar os Institutos Bíblicos (a tal fábrica de pastores) e cursos de extensão em teologia.

Claiton Pommerening: tese sobre a fábrica de pastores

Entre as muitas informações históricas relevantes, está a de que JP Kolenda desejou abrir primeiramente um instituto bíblico em terras catarinenses. Mas infelizmente não obteve sucesso. Rechaçado na proposta dos institutos tanto em Santa Catarina como no Brasil, Kolenda foi para a Alemanha do pós-guerra realizar seus propósitos.

Mas, um dos pontos mais polêmicos da tese, são as considerações sobre as ameaças que a teologia poderiam causar ao status quo das ADs. Pommerening, argumenta que, a reflexão critica pode ser questionadora das práticas políticas: "Ela [a teologia] pode vir a subverter sua liderança e suas decisões, que algumas vezes são tomadas com bases políticas e não teológicas, pois são eles que detêm a palavra final em tudo e a teologia poderá fazer com que percam parte desta prerrogativa".

Nascido em Blumenau, Claiton é filho de um veterano obreiro das ADs em Santa Catarina. Casado, pai de duas filhas, atualmente trabalha como pastor na AD em Joinville (SC), e é diretor do Centro Evangélico de Educação e Cultura (CEEDUC). Comentarista da revista de jovens da CPAD, o autor, como se percebe, está totalmente envolvido no ensino e produção do saber teológico.

Escreveu a tese em meio as ocupações pastorais e educativas da instituição que lidera. Além disso viveu um drama pessoal em meio à caminhada rumo ao doutorado: a perda da mãe de forma rápida e inesperada. Porém, conseguiu conciliar suas múltiplas funções e apresentar a tese em 2015.

Para os estudiosos das ADs, a obra é leitura obrigatória. Amparada em ampla bibliografia e pesquisa, o leitor se vê diante de muitas observações pertinentes sobre a educação teológica nas ADs brasileiras. A torcida agora é para que vire livro, e incentive um debate cada vez maior sobre o tema.

E-mail para pedido da tese: claiton@ceeduc.edu.br ou no link

Para maiores informações do autor acesse a página do Relep:

http://relepnucleobrasil.blogspot.com.br/p/claiton-ivan-pommerening.html