sábado, 11 de março de 2017

Minissaia - a grande vilã

Na postagem, Moda, minissaia e o combate ao mundanismo nas ADs, observou-se os intensos debates sobre os modismos, e principalmente o uso da minissaia, que segundo um pastor da época, estavam "tentando invadir as igrejas".

O assunto foi levado à Convenção Geral de 1968 realizada em Fortaleza (CE). Silas Daniel, no livro História da CGADB, informou que os debates eram "reflexos da Revolução Sexual" sobre a denominação naqueles anos de grande efervescência cultural.

Registros mostram que a minissaia era uma grande fonte de preocupação dos pastores, que como toda a sociedade da época, assistiam escandalizados aos novos padrões de vestimentas e consumo da juventude. Sedimentados pela popularização da TV e do movimento musical Jovem Guarda, capitaneado por um jovem cabeludo (Roberto Carlos) que mandou "tudo pro inferno", os jovens jamais voltariam aos marcos antigos.

Vale lembrar, que na canção É papo firme (1966), Roberto fala de uma garota "avançada" que dirige velozmente, "gosta de gíria e muito embalo" e "só anda de minissaia". E todas essas novas posturas de uma jovem libertária, foram encarnadas numa mineira de Governador Valadares de origem libanesa chamada Wanderléa Charlup Boere Salim.

Wanderléa: ousadia no uso da minissaia

Além de adotar a criação de Mary Quant, Wanderléa, a famosa "Ternurinha", ousava mais: a inglesa usava à peça oito dedos acima do joelho; Wandeca por sua vez um palmo e meio acima. Era um escândalo.

E de norte a sul, as ADs sentiam e reagiam aos ventos de mudanças. Na AD em Joinville (SC) em 1968, o pastor Artur Montanha advertia aos membros contra o perigo dos vestidos curtos e das minissaias. Montanha usava uma lógica irrefutável: deveriam as irmãs perguntar a Jesus se era correto ou não usar saias acima ou abaixo de joelho.

O escritor Leal Neto relata, que o saudoso pastor da AD em Teresina, Paulo Belisário Carvalho, na década de 1970, aconselhava aos membros da igreja para não se deixarem "influenciar pelas modas do mundo". E a minissaia era a grande "vilã" e o alvo das mais sérias recomendações pastorais. 

Em Belém do Pará, a Igreja-Mãe fez uma "campanha contra o uso da minissaia". À desobediência aos ditames do ministério local seria punida com à exclusão "automática" do rol de membros.

Assim, muitos outros ministérios reagiram. Cada vez mais, as antigas e novas gerações assembleianas, se viam diante dos desafios da modernidade. Até que em 1975, em Santo André (SP), à CGADB resolveu proibir oficialmente à minissaia e outros costumes mundanos.

A "velha guarda" se impôs de vez sobre a "jovem guarda"...

Fontes:

ALENCAR, Gedeon Freire de. Matriz Pentecostal Brasileira: Assembleias de Deus 1911-2011. Novos Diálogos: Rio de Janeiro, 2013.

ARAÚJO, Paulo César de. Roberto Carlos em detalhes (PDF). Editora Planeta: 2006.

DANIEL, Silas. História da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil. Rio de Janeiro: CPAD, 2004.

LEAL NETO, Raimundo. Uma Igreja Edificada - História da Assembleia de Deus em Teresina - PI. Teresina: Halley, 2012.

Atas da Igreja Evangélica Assembleia de Deus em Joinville.

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