domingo, 19 de março de 2017

O pastorado feminino na AD Ministério de Madureira

* Por Douglas Fidalgo

A Assembleia de Deus Ministério de Madureira – ADMM, durante seus mais de 85 anos de existência tem a sua história marcada por diversas ações consideradas polêmicas (para dizer o mínimo), que vão desde a questão dos “usos e costumes” e “invasões de campos” no período de seu fundador, até as mais recentes como, por exemplo, o “suposto” envolvimento do Bp. Manoel Ferreira com o falecido Rev. Moon.

Mas com certeza um episódio que agitou o “mundo assembleiano brasileiro” foi a consagração de mulheres ao posto de pastoras. Esse episódio ocorreu no ano de 2005, no encerramento da 37ª AGO da CONAMAD na cidade de Paulínia – São Paulo, quando no dia da “Cruzada” que encerraria essa Assembleia Geral, o Bp. Manoel Ferreira chamou ao palanque a cantora gospel Cassiane Santana Manhães e seu esposo Jairo Manhães (hoje pastores-presidentes do Campo de Barueri) os consagrando (os dois) a pastores (PRATES; FERNANDES, 2012, p. 143). Sendo então a cantora Cassiane a primeira mulher a receber oficialmente o título de pastora na Assembleia de Deus Ministério de Madureira - ADMM. Como afirma Alencar (2013, p. 240), “o bispo sentiu de Deus” tomar essa atitude e consagrar a primeira mulher pastora da ADMM.

Mais tarde de forma “compulsória” consagrou todas as esposas de pastores-presidentes do ministério a pastoras no ano de 2011 (2013, p. 241). Mas antes disso ocorrer, no de 2009, em plena comemoração aos 80 anos de fundação do Ministério de Madureira a esposa do Bispo Manoel Ferreira é consagrada a bispa, se tornando (assim como esposo) a primeira bispa assembleiana do Brasil (PRATES; FERNANDES, 2012, p. 147), pelo menos dentro das ADs oriunda das duas grandes convenções – CGADB e CONAMAD.

Precisamos pontuar que dois anos antes (2003) da consagração da primeira pastora da ADMM, esse mesmo ministério já havia consagrado às mulheres dos pastores-presidentes a missionárias e regulamentado a consagração de diaconisas dentro do Ministério de Madureira. Esses títulos (a exceção das diaconisas), principalmente os dados às mulheres dos pastores-presidentes eram (e ainda é) uma forma mais de distinção (BOURDIEU, 2007) entre dominadores e dominados.

Entretanto, alguém pode alegar que a mulher de Macalão, Zélia Brito Macalão era chamada de missionária, se assentava ao lado do esposo no púlpito e representava o mesmo em diferentes eventos como inaugurações, congressos e solenidades quando o seu esposo não podia comparecer (ALENCAR, 2013). 

Zélia e Paulinho: presença feminina na liderança de Madureira

Porém, que fique claro que a missionária Zélia Macalão, que viveu em um período no qual o machismo e a misoginia eram questões explicitamente claras dentro das ADs no Brasil (e porque não afirmar que ainda são), desempenhou um importante papel na constituição da igreja. Uma vez que essa mulher (como algumas outras dentro da história das ADs) se destacou pela coragem e brilhantismo, traduzindo artigos e escrevendo textos de ensino que foram publicados no MP por alguns anos, em um período em que só homens desempenham esse papel. Que infelizmente com o decorrer dos anos foi diminuindo sua atividade no “ministério do ensino”.

Encontramos ainda sua ação direta na CIBE - Confederação das Irmãs Beneficentes Evangélicas, fundada no ano de 1955 (MACALÃO, 1986), que tinha como função o trabalho na área da “assistência social”, oferecer cursos profissionalizantes, arrecadação de alimentos para atender as famílias necessitadas da igreja, o berçário da igreja e outras atividades. Apesar de todos esses serviços em sua maioria serem voltados para o público da igreja de Madureira, não se deve negar a contribuição que o mesmo teve.

Mas como as coisas dentro do pentecostalismo, principalmente assembleiano ocorrem de forma dinâmica e muitas vezes imprevistas, podemos indicar que muito antes da confirmação do ministério pastoral feminino no ministério de Madureira uma única mulher rompeu essa “barreira” e assumiu o pastorado de um Campo de trabalho. Segundo o que consta nos registros oficiais da instituição e apesar de na época ela não ser pastora, mas sim missionária, a mesma esteve no posto mais alto de comando da ADMM Campo de Guararema – SP (FERREIRA, s.n.t, p. 199).

Esse campo era ligado a ADMM Campo de Mogi das Cruzes, que tinha como presidente o Pr. Jorge Baptista Leite, que esteve à frente dessa igreja entre os anos de 1963 até 1996. Durante esses 33 anos o Campo de Mogi das Cruzes cresceu e se tornou um dos importantes campos do Ministério de Madureira. É neste ponto que reside à questão, que explica essa “presidência-feminina” em Guararema, pois esse pastor já estava avançado em idade e a Diretoria da CONAMAD resolveu jubilá-lo e substituí-lo. 

O referido pastor não aceitou ser jubilado e se instaurou a crise. A mesma foi resolvida com um acordo entre ambos os lados (CONAMAD e o pastor) e no final as igrejas da região de Guararema, que faziam parte desse Campo de Mogi das Cruzes foram emancipadas e a filha o Pr. Jorge Leite, a época Missionária Léia Baptista Cavalcante Macêdo assume a presidência desse campo. Ficando nessa presidência por um período de aproximadamente seis anos (FERREIRA, s.n.t), porém alegando dificuldades a mesma renunciou ao posto de “pastora-presidente”, se assim podemos dizer.

Fora esse episódio, que marca o grande jogo de interesses da liderança da ADMM, não se encontra nenhum outro semelhante a esse. Assim o pastorado feminino da ADMM na atualidade não expressa em um reconhecimento da capacidade das mulheres, pois as mesmas são na maioria dos casos esposas de pastores-presidentes, o qual pouco ou quase nada desempenha dentro da organização. Seus “títulos honoríficos” apenas demarcam o seu lugar na instituição, não a sua qualidade ou atividades.

Mas em toda a regra existe sua exceção! E muitas mulheres em seu anonimato, são a mola sustentadora e ao mesmo tempo propulsora do movimento pentecostal assembleiano no país, pelos seus muitos serviços prestados, mas que não são reconhecidos.

Entretanto, como afirma Alencar (2013, p. 242) as novas gerações que estão se acostumando com essa nova imagem da mulher assembleiana, vai aceitar que essa imagem só fique nisso? Certamente que não! Sabendo ser esse assunto ainda muito polêmico não apenas dentro das ADs no Brasil, mas em muitas igrejas evangélicas brasileiras a verdade é que ADMM vem ao longo da gestão dos Ferreiras quebrando muitos pontos tradicionais do movimento, porém o comodismo dessas mulheres pode apenas servir como um “demarcador” de posição social, muito comum dentro de outras esferas sociais em nosso país.

Mestre em Ciências da Religião na área de concentração em Ciências Sociais e Religião, na Universidade Metodista de São Paulo. Pós-graduado em Filosofia Contemporânea e História na Universidade Metodista de São Paulo (2013), em Educação para o Ensino Superior pela UNIP (2012) e História e Teologia do Protestantismo no Brasil pela FTBSP (2011). Graduado em Ciências Sociais pelo Centro Universitário Fundação Santo André (2007). Além de possuir significativa vivência no magistério das redes particular e pública do Estado de São Paulo, lecionando ao longo dos anos disciplinas como Sociologia, História, Filosofia e Geografia para os níveis Fundamental II e Médio. Também atuou como professor auxiliar no curso de Ciências Sociais - EaD e professor presencial nos cursos de Gestão e Administração da Universidade Metodista de São Paulo.

Fontes:

ALENCAR, Matriz Pentecostal Brasileira: Assembleias de Deus 1911-2011, Rio de Janeiro: Ed. Novos Diálogos, 2013.

BOURDIEU, Pierre. A Distinção: crítica social do julgamento, São Paulo: Edusp; Porto Alegre, RS: Zouk, 2007.

FERREIRA, Samuel Cássio (org.), Assembleia de Deus em São Paulo: Fundação e Expansão1938-2011. Centenário de Glórias, 100 anos fazendo história1911-2011. s.n.t.

MACALÃO, Zélia Brito, Traços da vida de Paulo Leivas Macalão, Rio de Janeiro: CPAD, 1986.

3 comentários:

  1. Com muita simplicidade e respeitando e até louvando a DEUS pela importantíssima presença das mulheres na Igreja mas, PASTORADO FEMININO NÃO É BÍBLICO.

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  2. Quem não é contra nós é por nós , sou favorável que a mulher seja pastora sim, desde que seja a segunda da Igreja ou seja, o marido pastoreia e a mulher o ajuda ,é ate uma forma de reduzir gastos , como por exemplo ,na maioria das vezes são enviados 2 obreiros e suas famílias para assumir uma Igreja , enviando um casal de missionarios ou de pastores , agiliza o processo.

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    1. Querido Irmão ! Nesta condição a Pra. Continuaria apenas decorativa !!!!!


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