sexta-feira, 2 de junho de 2017

AD em Santos - arrebatamentos e desentendimentos

As posições e práticas do pastor da AD em Santos, Paulo Alves Corrêa foram muito mal recebidas pelos líderes assembleianos em 1997. A entrevista publicada pela revista A Seara, além de causar muitos debates, provou desgaste ao líder santista.

Tempos depois, os comentários negativos sobre as manifestações da "nova unção" forçaram a diretoria da Convenção dos Ministros das Assembleias de Deus no Estado de São Paulo e Outros (COMADESP), a agendar uma reunião no templo sede da AD santista no dia 20 de fevereiro de 2004.

O então vice-presidente da Convenção, José Ezequiel da Silva, ao abrir o encontro, expressou seu respeito ao líder da igreja, mas reconhecia que as controvérsias em torno dos estranhos acontecimentos estavam fora do controle. Prejuízos ao ministério e a COMADESP eram inevitáveis.

Pastor Corrêa: reunião tensa com a COMADESP

Pastor Ezequiel ressaltou, que mesmo sendo um assunto interno e de exclusiva competência da AD local, o tema estava sendo tratado devido a má repercussão à imagem da COMADESP e a suposta ligação da AD santista com o pastor Ouriel de Jesus. Desligado da CGADB por questões doutrinárias, Ouriel provocou intensos debates dentro das ADs, devido as exóticas manifestações místicas em sua igreja em Boston (EUA).

Em sua defesa, o pastor Corrêa salientou que orava por um avivamento com salvação de almas, curas e batismo no Espírito Santo. Rechaçou sua ligação com a AD em Boston, mas admitiu ser amigo pessoal do pastor Ouriel. Inclusive lhe franqueou o púlpito em Santos, não observando heresias em sua pregação. Contou ainda, que ao visitar a AD em Boston não percebeu nenhuma anormalidade na liturgia.

Sobre as visões de anjos na igreja, o líder santista afirmou não censurar tais visões , mas simplesmente ouvia as experiências. Questionado sobre as afirmações de que alguns membros da igreja eram arrebatados e falavam com mortos, Paulo deu a mesma resposta. Era de uma passividade total.

Um dos casos mencionados, foi a de um pastor, que ao ser arrebatado pediu ao anjo para ver seu falecido filho. Imediatamente, o mensageiro celestial trouxe o menino para ser abraçado pelo pai. Os relatos, no entendimento dos obreiros beirava a necromancia.

Nesse ponto, o pastor Paulo recebeu a solidariedade de outro conhecido líder assembleiano: Walter Brunelli. Brunelli socorreu o colega ao contar que sua própria esposa ao ser arrebatada aos céus havia abraçado o apóstolo Paulo, Abraão, Moisés e Daniel. Saindo em defesa dos arrebatamentos, o pastor de Vila Mariana (SP), declarou que a influência dos teólogos tradicionais afastou os pentecostais das experiências sobrenaturais.

Paulo Corrêa, em sua defesa, citou o livro Diário do Pioneiro. Na obra, Gunnar Vingren narra experiências sobrenaturais (levitação), mas nem por isso era considerado herege. Contrariado, não acatou sugestões de publicar uma nota no Mensageiro da Paz esclarecendo os fatos controversos na igreja em Santos. Descartou tal hipótese, pois para ele seria alimentar mais especulações.

Sentindo-se pressionado pelo ministério e desgastado com as controvérsias que se arrastavam há anos, Paulo Corrêa deixou abruptamente a reunião alegando indisposição. Era o auge das controvérsias iniciadas com a entrevista dada por ele à revista A Seara em 1997.

Assim, mais uma igreja histórica das ADs caminhava para a ruptura com a CGADB por conta de fatores doutrinários e políticos. Um brusco desentendimento do líder santista, filho de um pastor que presidiu a CGADB por três vezes, com a cúpula estadual e nacional da denominação.

Pioneira no estado de São Paulo, a AD em Santos logo sofreria cisões e outros ministérios receberiam milhares de seus membros.

5 comentários:

  1. Infelizmente, a AD de Santos, igreja histórica, só é mais uma que sofreu com o modismo da época. Não descarto experiências sobrenaturais desde que sejam amparadas pelas Escrituras. Nesse terreno devemos ter o cuidado entre fatos e boatos, pois por causa de muitos boatos que transformaram em fatos, houve mal entendido e, consequentemente, cismas. Se fossemos procurar quantas igrejas que seguiram longe da CGADB, daria para criar outra Convenção. Que o modismo não seja acatado, mas o cuidado é essencial.

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  2. Lembro-me desses fatos, sem aprofundamento na questão, mas sabia do clima de excessos em Boston e a influência posterior em Santos. Um avivamento deve e pode acontecer quando (AS) igrejas retornarem de onde nunca deviam ter saído.

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  3. É, meu nobre, quão grande e controversa é nossa denominação?

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  4. Neste ministério servi ativamente o meu Mestre e Senhor de 1996 a 2005, alguns anos sob a batuta do saudoso Pr. João Alves Correia. Eu recebi em minha residência o suso mencionado Pastor no ano de 2002, sendo testemunha ocular. Eu acrescento que foi mais uma dentre tantas que ocorrem malfadada sucessão ministerial, cheia de impropérios com segundas e terceiras intenções. Todas dista da perfeita e harmoniosa vontade de Deus.

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  5. "Um dos casos mencionados, foi a de um pastor, que ao ser arrebatado pediu ao anjo para ver seu falecido filho. Imediatamente, o mensageiro celestial trouxe o menino para ser abraçado pelo pai. Os relatos, no entendimento dos obreiros beirava a necromancia.

    Nesse ponto, o pastor Paulo recebeu a solidariedade de outro conhecido líder assembleiano: Walter Brunelli. Brunelli, socorreu o colega ao contar que sua própria esposa ao ser arrebatada aos céus havia abraçado o apóstolo Paulo, Abraão, Moisés e Daniel. Saindo em defesa dos arrebatamentos, o pastor de Vila Mariana (SP), declarou que a influência dos teólogos tradicionais afastou os pentecostais das experiências sobrenaturais."

    Depois disso ainda queriem ter razão?
    E usando fatos isolados com Vingren, para endossar?

    Tenso!!!
    😓😓😓

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