sábado, 22 de julho de 2017

Madureira - o bairro sede do Ministério

"Em termos de importância, Madureira está para o subúrbio assim como Copacabana está para a zona sul. Guardadas algumas diferenças, é nesses bairros que tudo acontece e de tudo se vê." 
(Leda Costa - professora e pesquisadora dos subúrbios cariocas)

"Censurado" e "incompreendido" na AD em São Cristóvão, Paulo Leivas Macalão no auge da sua juventude partiu a evangelizar os subúrbios da cidade do Rio de Janeiro, em 1926. Logo toda a região de Realengo, Bangu, Campo Grande, Santa Cruz e Marechal Hermes seria alcançada com a mensagem pentecostal.

Em 15 de novembro de 1929, Macalão iniciou oficialmente a AD no bairro de Madureira, na Zona Norte do Rio. O trabalho começou na residência de um crente e depois foi transferido para pequenos salões comerciais conforme a congregação se desenvolvia, até que veio a mudança para um prédio próprio. Em 1941, a igreja de Madureira obteve personalidade jurídica e passou a ser a sede do Ministério, anteriormente localizado em Bangu.

A transferência do Ministério foi acertada. Madureira crescia velozmente impulsionado pela localização estratégica, sendo passagem através dos ramais ferroviários as diversas regiões dos subúrbios. Não por acaso, o bairro é conhecido como "Coração da Zona Norte" do Rio.

Bairro de Madureira década de 1950: "Capital do Subúrbio"

O bairro já era nesse tempo muito movimentado devido ao funcionamento desde 1914, do Mercadão de Madureira. Ampliado em 1929, o estabelecimento impulsionava o crescimento da região. Outro fator de grande importância era a presença das Escolas de Samba Portela (1923), e Império Serrano (1947), as quais trouxeram ao local o título de "Berço do Samba".

Os subúrbios contavam com uma população em sua maioria composta por "negros, ex-escravos, operários, imigrantes (na maioria nordestinos)". Uma gente excluída do centro da cidade pelo famoso “Bota Abaixo” e das reformas modernistas do prefeito Pereira Passos. Nesse contexto social, a congregação de Madureira expandia-se conforme o ritmo do bairro. 

Macalão sempre foi visionário e ao mudar a sede de Bangu para Madureira, o filho do general deu maior visibilidade ao Ministério por ele liderado. Estratégia e aposta numa igreja promissora e de grande potencial, agora instalada na "Capital do Subúrbio", onde "tudo acontece e de tudo se vê".

A importância da igreja aparece nas páginas do Mensageiro da Paz, na 1ª quinzena de agosto de 1935, quando Zélia Brito Macalão envia notícias na seção Na Seara do Senhor – espaço no periódico para informar sobre as atividades pentecostais pelo Brasil – onde Madureira é citada juntamente com Bangu no título da matéria. Ou seja, a congregação já era de grande visibilidade.

Em 1937, o escritor Diomedes de Figueiredo Morais, na Revista Rio Ilustrado, ao observar as transformações aceleradas na região constatava: "Madureira cresce assombrosamente". Era do bairro que ele falava, mas bem que poderia ser o sobre o Ministério. Em poucos anos, o pastor Paulo já tinha sob seu controle congregações na cidade, no estado do Rio, Espírito Santo, Minas Gerais, Goiás e São Paulo.

Assim, a famosa "Capital do Subúrbio", "Berço do Samba" ou "Coração da Zona Norte", seria o centro de um grande Ministério Interregional das ADs no Brasil. Luz de salvação para milhares, sombra de preocupação outros...

Fontes:

acervo.oglobo.globo.com

ARAÚJO, Isael de. Dicionário do Movimento Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2007.

DANIEL, Silas. História da Convenção Geral das Assembléias de Deus no Brasil. Rio de Janeiro: CPAD, 2004.

LUIZ, André. História da Assembleia de Deus em Bangu – 2006 – Edição do Autor.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Madureira_(bairro_do_Rio_de_Janeiro) 

Madureira e Pelourinho: consumo e representação de comidas típicas em festas populares. Adelaide Chao e João Maia. UERJ – Universidade do Estado do Rio de Janeiro. 

https://www.bn.gov.br/noticia/2015/07/rio-450-anos-bairros-rio-madureira

Um comentário:

  1. Eles já viam o movimento frenético das pessoas prá poderem colocar seus planos em ação.

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