sábado, 15 de julho de 2017

Ministério de Madureira - a gênese em Bangu

Madureira, um dos Ministérios mais conhecidos e polêmicos das Assembleias de Deus no Brasil, fundado pelo mítico pastor Paulo Leivas Macalão, curiosamente teve sua origem em outro bairro da periferia da cidade do Rio de Janeiro: Bangu.

Segundo alguns pesquisadores, Macalão, "censurado e incompreendido" e sentindo-se sem espaço na nascente e promissora igreja carioca surgida no bairro de São Cristóvão, Zona Norte, em 1924, partiu para evangelizar as áreas afastadas do centro do Rio. A história mostrou que nessa missão, o jovem obreiro foi extremamente competente e exitoso.

Antiga sede do Governo Imperial e próximo ao centro da cidade, São Cristóvão, na época em que a AD ali foi implantada no Rio, reunia a maior parte das industrias da cidade e concentrava quarteis e instalações militares. Tal era a importância estratégica da nova congregação, que Gunnar Vingren deixou o pastorado da igreja em Belém do Pará com objetivo de consolidar o trabalho pentecostal em terras cariocas. 

Por isso, a decisão do moço pareceu "precipitada" para muitos. Localizado entre os enormes maciços da Pedra Branca e do Medanha, Bangu era uma região isolada geograficamente. Não sem razão, o pastor Alípio da Silva em 1954, no Mensageiro da Paz, descreveu o esforço de Macalão "trilhando estradas pedregosas e hostis".

Inauguração do templo da AD em Bangu em 1933






















Deixar São Cristóvão, e aventurar-se naquela localidade de difícil acesso, percorrendo longas distâncias e com grandes fazendas, não seria aconselhável naqueles épicos dias. Anda mais para um rapaz de classe média, boa educação e de família militar.

Mas, suportando o tradicional calor da região, observando o contraste entre os ricos sitiantes e os moradores do pobres casebres, o futuro pastor, munido do seu violino "alteraria profundamente o perfil da igreja do Rio de Janeiro"  destacou com razão o pastor e historiador André Luiz.

Porém, nesse tempo, o cenário do bairro se transformaria. Sede da Companhia Progresso Industrial de Brasil (Fábrica Bangu) e contando com o Bangu Atlético Clube em plena atividade, a área verde cederia lugar rapidamente à concentração urbana. Os moradores da vila operária, construída pela principal empresa da região e a vinda de trabalhadores de outras partes da cidade, eram alvos do constante esforço evangelístico de Macalão.

Assim, em 1926, iniciava a "grande arrancada evangelística" do pastor Paulo por toda a região de Realengo, Bangu, Campo Grande, Santa Cruz e Marechal Hermes. No dia 1º de janeiro de 1933, o "incompreendido" auxiliar em São Cristóvão inaugurou o primeiro templo de alvenaria construído no antigo Distrito Federal.

Não seria a primeira e nem a última vez, que o gaúcho faria história no pentecostalismo no Rio de Janeiro e no Brasil. Os planos de expansão eram grandes e pouco mais de um ano antes da inauguração do templo em Bangu, mais precisamente no dia 15 de novembro de 1929, Macalão iniciaria o trabalho da congregação no bairro Madureira, na Zona Norte.

Logo, a nova igreja teria grande importância entre as ADs cariocas. E seria conhecida em todo o Brasil. Benção para alguns, desconforto para outros.

Fontes:

acervo.oglobo.globo.com

ARAÚJO, Isael de. Dicionário do Movimento Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2007.

DANIEL, Silas. História da Convenção Geral das Assembléias de Deus no Brasil. Rio de Janeiro: CPAD, 2004.

LUIZ, André. História da Assembleia de Deus em Bangu – 2006 – Edição do Autor.

Mensageiro da Paz, 1ª semana de julho de 1954.

Um comentário:

  1. E que agora infelizmente,encontra se em péssimas mãos! Quem quer servi a Deus de verdade,não ficam sobre a direção dos Ferreiras. A minha bíblia diz que se um cego guiar outro cego,ambos cairão no abismo! Não tem essa, de pastores cegos guiarem as ovelhas e no final ele cair no buraco, e as ovelhas que eram guiadas por ele,serem salvas!

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