domingo, 22 de outubro de 2017

O Escolhido

A matéria da revista semanal Veja (edição 18/10/2017), sobre a sucessão na Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) é emblemática, e apesar de se tratar de uma denominação considerada neopentecostal com práticas sincretistas e polêmicas (mas diga-se de passagem muito imitada pelas concorrentes), aponta para tendências já consolidadas nos Ministério das Assembleias de Deus.

Na matéria O Escolhido, Veja informa que depois de quase dez anos de expectativas, Edir Macedo, líder máximo da IURD, anunciou o número 2 na organização religiosa e seu "provável sucessor e herdeiro" do império religioso-midiático-político erguido por ele em 1977, ano de fundação da Universal.



O número 2 da IURD anunciado por Edir é o seu genro Renato Cardoso, casado com Cristiane, a filha mais velha do Bispo. Contraditoriamente, Macedo sempre afirmava que "nenhum parente seria detentor de cargos-chaves na Universal", pois valeria mais o mérito na sucessão do que laços familiares, uma forma de estimular a competição interna.

Os possíveis sucessores de Macedo dedicaram-se então as metas de arrecadação e expansão da igreja nesse período. Mas agora, a escolha do genro teve efeito de uma verdadeira "traição", inclusive para o outro genro do bispo, Julio Freitas.

Dedicado ao ministério da IURD desde a adolescência, Renato é considerado o filho que Edir não teve. Casou com Cristiane em 1991, e seguiu para os Estados Unidos com o objetivo de expandir a Universal na terra do Tio Sam. Anos depois passou pela África do Sul, Inglaterra e retornou aos EUA.

Voltou em 2011 ao Brasil para ficar conhecido pelos conselhos matrimoniais dados na igreja e na TV. Lançou o best-seller Casamento Blindado, e é considerado "uma das estrelas mais fulgurantes" da IURD.

Porém, por outro lado, Cardoso é considerado dentro da denominação como um outsider, pois passou a maior parte do tempo do ministério fora do Brasil. Outros obreiros próximos à Macedo, que por muitos anos dedicaram-se à igreja, viram na nomeação do genro do Bispo uma verdadeira "rasteira".

Mesmo que o perfil do genro se encaixe mais nos rumos de modernização da Universal, em contraste com as pregações convencionais e práticas de arrecadação financeiras dos seus concorrentes, Renato vai ter que lutar para consolidar sua liderança. O descontentamento foi grande entre os aspirantes ao Reino Universal.

"O anúncio de Macedo encerrou uma guerra. O desafio do genro agora é não abrir outra guerra  e garantir a paz no império", conclui os jornalistas ao fim do texto.

Qualquer semelhança com a realidade de outros Ministérios não é mera coincidência.

Fontes;

Revista Veja - edição 18/10/2017 - acervo digital 

8 comentários:

  1. No livro Os Votos de Deus, Editora Massagana, os autores traçam um perfil de ação política que atravessa as décadas. E chegam à seguinte conclusão: a AD e outras igrejas históricas foram influenciadas pela IURD ao se lançarem de corpo e alma na política. Agora o tabuleiro se inverte e a Universal é que segue essa trilha. Deus está muito longe das sucessões eclesiásticas brasileiras. Far far away!

    ResponderExcluir
  2. A nota publicada pela IURD desmentindo totalmente esta materia da VEJA não tem nem umvalor?

    ResponderExcluir
  3. https://www.universal.org/noticias/as-24-mentiras-de-veja

    ResponderExcluir
  4. Irmão Evaldo, na minha opinião, o desmentido faz críticas pontuais e aponta alguns erros mesmo, mas no geral não desmente a matéria. Quem conhece os bastidores de qualquer denominação sabe que, sucessões em grandes e ricas igrejas são marcadas por tensões.

    ResponderExcluir
  5. Os irmãos acham que essa briga que assistimos um tempo atrás nas eleições da CGADB é diferente dessa ? O mega templo fase de final AD BELENZINHO,ficara nas mãos de outras pessoas?Se ñ no poder dos BEZERRA DA COSTA"?Inclusive até na politica ñ tem pra ninguém(O FILHO E AS DUAS FILHAS JÁ SÃO PESSOAS AUTOMATICAMENTE INDICADA PELO MINISTÉRIO).Em PERNAMBUCO alguém duvida que aquele mega templo ficara nas mãos de outra pessoas a ñ ser nas mãos do filho do PASTOR AILTON JOSÉ? A igreja DEUS É AMOR tem um caso mais emblemático ainda,POIS quem comanda o IMPÉRIO é a irmã ERENI MIRANDA(PRESIDENTE)E na sucessão aparece a filha DEBORA MIRANDA.Se formos percorrer o BRASIL acharíamos mais e mais. Não estou aqui dizendo que está certo ou errado se tem a famosa CHAMADA ou não o que eu quero dizer quer,isso é normal em qualquer instituição e as igrejas estão entrando(ou já entrou,pelo menos algumas)nessa onda de ficar em familia,pra ñ cair em "MÃOS ERRADA".Não deveria ser assim mas,as coisas estão tão complicada,que parece que tem pessoas não acreditam mais na volta de JESUS e que melhor "É COMER,BEBER E VIVER O MELHOR DESSA TERRA".

    ResponderExcluir
  6. Respeito sua opinião.
    Quanto o objetivo que você deseja alcançar com a matéria, concordo plenamente,atualmente estou congregando em uma congregão ligada a AD BRÁS,o que vemos em nossa sede, é a mesma coisa que se se ver no Templo de Salomão, que fica em frente ao nosso, parece que nossos pastores estão atravessando a avenida e fazendo curso com os bispos do Edir Macedo.

    ResponderExcluir
  7. Enquanto a sociedade se deixar levar pela falsa ideia de que existe "IGREJA" e "igrejinha", como se Deus atuasse de forma diferenciada na vida de seus adoradores em função disso, vamos conviver com temas como esse.
    Pastor no sentido mais verdadeiro da palavra é aquele que pastoreia as ovelhas de acordo com a vontade de Deus e Deus atua onde os verdadeiros adoradores se reúnem.
    Além disso, não marca hora e lugar em agendas humanas para realizar Sua vontade, mas as pessoas ainda não entenderam isso, dai ficam presos à agenda de bispos e pastores que definem lugar e hora para que recebam a graça, e muitas vezes por um "valor pré estabelecido" e pago adiantado, afinal, a "graça" pode não ser recebida.
    Quanto à sucessão, infelizmente esta não é feita de forma democrática, afinal, quem decide os rumos da "IGREJA", já que ela tem “dono”, é a cúpula que possuem objetivos humanos comuns.
    Mesmo em igrejas que possuem formas diferenciadas de escolha de pastores os "arrependimentos" não são descartados, nem incomuns, mas ao menos a responsabilidade é dividida e a busca por correção também (cito as Batistas como exemplo).
    Há também aquelas em que os pastores ficam por tempo determinado em seu ministério, passando e levando sua experiencia e contribuição a diferentes realidades do Brasil, evitando assim que se sintam “donos do ministério”.
    Mas, quando falamos de sucessão "PRESIDENCIAL", dai a coisa fica mais politizada, e o que assusta são as semelhanças com o que chamamos de "vida secular" (instituição politica partidária), onde os métodos se aproximam tanto, que facilmente nos confundimos ao descrever uma instituição da outra e quem já fez parte destes bastidores sabe bem do que estou falando.
    Mas, no final de todos esses questionamentos e pontos de vista, fico feliz em ser eu a dizer (pelo menos aqui) que independente de toda essa vaidade humana, DEUS CONTINUA E CONTINUARÁ ATUANDO NA VIDA DOS VERDADEIROS ADORADORES, estejam eles onde estiverem, inclusive na UNIVERSAL DO REINO DE DEUS, pois “o homem vê a aparência, mas Deus vê o coração” e reconhece sua “ovelha” independente do seu “pastor”.
    Finalizando, para os que acham que ficarão impunes, deixo a reflexão de Lucas 12.
    Marcos Miranda

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Só uma provocação sem importância: por que você "assinou" o seu comentário, já que nele já aparecem seu nome, foto e link do perfil do blogger? Receio de que copiem e repostem seu comentário e você não seja creditado por isso?
      Se puder responder agradeço.
      Anônimo curioso.

      Excluir